Inovação, tecnologia e sandbox regulatório foram destaque em evento do setor de Energia Elétrica

Lucas Ribeiro, CEO do ROIT BANK, empresa organizadora do evento.

O Setor Elétrico brasileiro é uma das principais alavancas para a retomada da economia pós-pandemia, devido a sua infraestrutura, por atrair investimentos dentro e fora do país e também pela grande capacidade de geração de empregos. Atualmente, o segmento movimenta mais de R$ 400 bilhões por ano, representando cerca de 20% do PIB do Brasil.

Foi pensando nisso que o ROIT BANK, fintech que desenvolve soluções para contabilidade, gestão fiscal e financeira para médias e grandes empresas, realizou o EletroDay, em São Paulo, com transmissão nacional ao vivo.

Quem abriu o evento foi o Diretor-Geral da ANEEL, André Pepitone, abordando algumas conquistas importantes para o setor de Energia Elétrica, como: perspectiva de redução na tarifa dos consumidores em cerca de R$ 4,2 bilhões por ano, a partir de 2023, desoneração tarifária, a transição para um mercado livre até 2024.

Na sequência, foi apresentado um painel sobre o tema Governança Setorial e Agenda 2021, com Anatalicio Risden Junior, Diretor Financeiro Executivo e José Carlos Aleluia Costa, Conselheiro da ITAIPU Binacional.

As tarifas e impostos brasileiros também mereceram destaque. Segundo o Head de Consultoria da AiTAX, Ricardo Janesch, elas são as mais altas e complexas do mundo. Além disso, as atividades do setor elétrico não podem ser caracterizadas como comércio ou serviço “tradicional” e, por isso, não possuem tantos incentivos fiscais e estão sujeitas a normas regulatórias. “Contudo, há algumas brechas nas leis que podem minimizar a carga tributária do setor, como incentivos à pesquisa e o tratamento das despesas como dedutíveis”, comentou na ocasião.

Finalizando a agenda de palestras da manhã, o evento contou com a participação de Diogo Mac Cord, Secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Rodrigo Limp, Presidente da Eletrobras e Reynaldo Passanezi Filho, Presidente da Cemig, tratando dos Processos de Desestatização e o caso da Eletrobras, sancionado pelo Presidente Jair Bolsonaro no dia 13 de julho de 2021.

Limp afirma que o senado foi favorável à decisão de capitalização da Eletrobras e elenca alguns tópicos que foram responsáveis por essa escolha após o aprimoramento da MP, como a maturidade da discussão ao longo dos anos, a importância do fortalecimento da empresa (após a queda desta nos anos de 2012 a 2015) e o foco nos investimentos e no consumidor.

Abrindo as palestras da tarde, Lucas Ribeiro, Presidente da ASSESPRO/PR e CEO do ROIT BANK, trouxe para a discussão o tema Aplicações práticas da IA e Robotização para empresas do Setor Elétrico. Ribeiro trouxe números expressivos sobre como a Inteligência Artificial até 2030 contribuirá em mais de US$ 15,7 trilhões para a economia global, solucionando problemas complexos, que até hoje só foram possíveis com Inteligência Humana ou ainda nem foram solucionados.

O CEO do ROIT BANK trouxe, ainda, exemplos práticos de como uma gestão de dados eficiente via tecnologia possibilita a tomada de decisão mais assertiva e a substituição de atividades manuais repetitivas e passíveis de erros por RPA com até 98% de acuracidade, além da consulta na Receita Federal, Simples Nacional e Validade da Nota e em alguns municípios, no CPOM. A I.A do ROIT BANK, por exemplo, foi treinada para interpretar 32 tipos de documentos de entrada, com milhares de tipos de variações, além de já ter identificado mais de 1.8 bilhão de cenários tributários, 12 milhões de documentos classificados e extraídos com OCR e I.A. e 8 milhões classificações contábeis sem interferência humana.

No Painel Empresarial, o EletroDay recebeu como painelistas Leonardo Euler, Presidente da Anatel, João Garcia, Presidente da SINERGI e Anna Paula Hiotte, Diretora de Regulação da Enel, tratando sobre o tema Oportunidades Econômicas do Setor Elétrico e Telecom. Ambos ressaltaram o 5G como principal novidade do setor de telecom para os próximos anos.

Euler trouxe grande preocupação em relação aos postes que já estão congestionados, o que dificulta a passagem de novas redes, como o 5G, trazendo também algumas possíveis soluções para esse problema, como um operador neutro e até um “sandbox regulatório”, opção estudada com o Diretor-Geral da ANEEL e que Anna Paula Hiotte também acredita ser uma saída para as novas oportunidades do setor.

O presidente da SINERGI falou ainda da importância da Geração Distribuída e Compartilhada, por propiciar que qualquer cooperado, produtor rural ou empresa tenha acesso à energia renovável, sem realizar nenhum tipo de investimento ou adaptações em seus telhados. Essa iniciativa gera uma economia de 10 a 20% sem desconto na bandeira tarifária e possibilita maior investimento em seu próprio negócio.

O último painel do evento teve a presença de André Pepitone, Pedro Batista, Chefe de Análise da 3G Radar, Reynaldo Passanezi Filho e Lucas Ribeiro como mediador, falando sobre O Futuro do Setor Elétrico no Brasil frente à retomada da Economia. “O setor elétrico é a bola da vez, é o segmento que vai ajudar o Brasil na retomada econômica. Afinal de contas, são 560 bi que tem para serem investidos nos próximos 10 anos”, disse Pepitone. Vale ressaltar que esses investimentos, consequentemente, gerarão também mais empregos.

“O mercado de capitais é o principal financiador do setor elétrico no mundo inteiro, então a privatização da Eletrobras vai ajudar a abrir portas para investidores que ainda não estão no nosso mercado”, disse Pedro Batista.

Sobre os investimentos da CEMIG e os projetos de P&D, Passanezi mostrou parte do planejamento estratégico da empresa e também onde serão alocados os mais de R$ 22,5 bilhões de investimentos até 2025. Entre eles, estão a construção de novas subestações, Minas Trifásico na área rural, Geração e Transmissão e outros, sempre com foco em Minas Gerais. Os temas do P&D estão justamente nos projetos de infraestrutura, melhorando-a para permitir o avanço tecnológico e regulatório, para poder ter o armazenamento da energia e avançar na comercialização varejista, com o objetivo de aproveitar o big data.