Energia solar deve ser protagonista na renovação da matriz energética brasileira

Apesar de cerca de 90% da energia elétrica do território nacional ter origem nas usinas hidrelétricas, cerca de um quinto do que é produzido é desperdiçado na transmissão da energia até os centros de consumo, como o exemplo de Itaipu. Perdas que resultam em pelo menos 5% da tarifa paga pelo consumidor. Um dos caminhos para driblar essas perdas de energia no país é optar pela energia solar distribuída. Até 2027, de acordo com o Governo Federal, as hidrelétricas perderão espaço para a energias renováveis e cairão para 51% em termos de participação energética, enquanto fontes alternativas devem saltar para 28%.

Para o diretor da empresa de comércio exterior brasileira Tek Trade Rogério Marin, responsável por importar 4 MegaWhats de energia em placas fotovoltaicas em 2020, o principal caminho será o incentivo à implantação de usinas de energias renováveis e o aumento da micro geração de energia solar distribuída pela população.

“As energias provenientes de fontes renováveis estão entre as ações sustentáveis priorizadas por vários países. No Brasil, recentemente, o Governo Federal zerou o imposto de importação para equipamentos solares até 31 de dezembro de 2021, respeitando alguns critérios, o que deve impulsionar ainda mais o mercado. Conforme a economia e o câmbio voltarem ao normal, a medida deverá estimular a criação de novos projetos tanto residenciais quanto empresariais. Mesmo quem não é do ramo percebe, analisando os números, que vale a pena investir em um sistema como esse, onde é possível se obter o retorno do investimento e, em muitos casos, trocar a conta de luz pelo valor mensal do financiamento do sistema”, afirma Marin.

O diretor estima que o crescimento em importação de painéis solares pela Tek Trade deve ter um acréscimo 15% em 2021, em comparação com 2020, e seguir em crescimento pelos próximos anos. Uma oportunidade aos empresários interessados em atuar com a distribuição e instalação de equipamentos e que, inclusive, é apontada como uma solução para a retomada do crescimento econômico, de países e empresas no pós-pandemia.

“A energia solar será uma das protagonistas deste cenário de renovação da matriz energética brasileira. O fato é que devemos, sim, questionar o desperdício de energia elétrica no Brasil e refletir sobre a real eficiência das usinas hidrelétricas que mais trazem inseguranças por dependerem e gerarem grande impacto ambiental. Para a construção de uma hidrelétrica, por exemplo, são exigidos diversos fatores como: instalações de barragens, desvio do curso do rio e desapropriação de terras. São atitudes que acarretam em problemas à fauna e à flora e ao assoreamento de rios. Outro fator é que muitas vezes essa capacidade está em terras indígenas ou em unidades de conservação. Já a energia solar, além de ser completamente limpa e sustentável, conta com uma instalação descomplicada e seus resultados são imediatos. Ou seja, você adquire a placa solar, instala, coloca o inversor e está produzindo energia”, explica o diretor.

Outro fator apontado por Marin é que as principais hidrelétricas do Brasil, ou seja, as que geram mais energia, estão localizadas no Rio Paraná, na fronteira Brasil-Paraguai. Sendo assim, na hora de transportar esta energia para o restante do país, se perde pelo menos 20% do recurso na transmissão pela rede, afetando diretamente na qualidade da eletricidade fornecida em algumas regiões. Já o painel solar possui facilidade na hora da instalação e sua matéria-prima – a luminosidade do sol – é inesgotável e gratuita.

“A energia solar teve seu valor reduzido em quase 90% nos últimos dez anos (Absolar). Além disso, cada vez mais temos possibilidades facilitadas de financiamento. Incentivar o acesso a essa solução que tem crescido tão rapidamente é o caminho para um futuro mais sustentável”, argumenta.