Congresso Médico de Maringá discutirá o cérebro dos corruptos

Neurociência defende que o corrupto é mais consequência da formação do que de questões fisiológicas

Nos últimos anos no Brasil, a corrupção ganhou destaque nas manchetes de jornais e no entender de muitas pessoas o fenômeno, pelo menos com tanta divulgação, é algo “novo” na sociedade. Mas, ela já é citada na Bíblia desde o Velho Testamento, no Código de Hamurábi, enfim, ela acompanha a trajetória do homem na terra desde os primeiros seres humanos. Nos últimos anos, a corrupção tornou-se objeto de estudo por cientistas, que tentam encontrar, no cérebro, os mecanismos associados à desonestidade.

Explicar isto e, por certo ainda responder muitas perguntas da plateia, será a tarefa da pesquisadora Débora de Mello Sant’Ana na palestra “O cérebro dos corruptos e a neurociência dos valores”, que ministrará durante o Congresso Médico de Maringá – A Medicina do Futuro, que acontece de 11 a 13 de outubro no Centro de Eventos Vivaro, organizado pelos acadêmicos de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Uningá e Unicesumar, apoio institucional do Maringá e Região Convention & Visitors Bureau e patrocínio de empresas como SVN Investimentos, Hospital Paraná, Unimed e Grupo São Camilo.

Pesquisadora da Área de Neurociência e Plasticidade Neural há 25 anos, a professora de graduação e do projeto de pós-graduação da UEM estuda o desenvolvimento da área pré-frontal do cérebro e sua complexidade. Segundo ela, por séculos os cientistas não atribuíam grandes funções para o pré-frontal, também conhecido como córtex, mas hoje sabe-se de sua complexidade e o quanto ela regula a vida das pessoas controlando outras áreas do próprio cérebro.

Segundo Débora Sant’Ana, a prática da corrupção está ligada ao desenvolvimento ou não do córtex. Ela é a última área do cérebro a ficar madura, processo que se completa ao final da adolescência, “e a marca do fim da adolescência é o amadurecimento desta área, com desenvolvimento do raciocínio abstrato, associação de causa e consequência, planejamento”. O comportamento corrupção, segundo a pesquisadora, é quando não se tem esta área bem desenvolvida.

“O político que desvia uma verba destinada à merenda escolar não está sendo capaz de compreender que crianças vão ficar sem alimento, será incapaz de sentir culpa ou remorso por seu ato”. Segundo ela, o corrupto é incapaz de associar seus atos com perdas futuras de outras pessoas. Para a neurocientista, é possível que ocorram questões fisiológicas, sobretudo de origem hormonal, mas o primordial são as questões culturais, os julgamentos morais.

“O desenvolvimento do pré-frontal depende de aprender a lidar com limites, espera, frustração, atribuição das consequências de seus atos, punições desde o nascimento. Para que uma pessoa torne-se corrupta também precisa ir aprendendo aos poucos, é uma sequência de 20 ou 30 anos de influência social, familiar, escolar, que vai contribuindo para formar o comportamento distorcido, sem o amadurecimento”.

Segundo ela, tudo na vida tem consequência, o cérebro vai testando os limites. Quando a pessoa não recebe isto, ele não aprende. A mesma criança que deixa de fazer a tarefa, que morde o coleguinha na creche e não tem correção verbal, não tem motivo para considerar que aquilo foi algo errado. Então, a correção verbal e a punição são necessárias para ajuda a criança a aprender sobre as consequência de seus atos.

“Estamos numa sociedade altamente permissiva por diferentes motivos: há uma linha que acredita que é errado qualquer tipo de punição (não confundir com bater), outra altamente protetiva, a desleixada, a sem tempo, a que deixa que a TV e a internet que eduquem os filhos. A gente vai construindo este sujeito. Se houver alguma dificuldade hormonal ou genética, junto com os espelhos que a pessoa convive, completa-se a tendência ao desvio”, diz Débora Sant’Ana.

Congresso

A palestra “O cérebro corrupto e a neurociência de valores” será ministrada no segundo dia do Congresso Médico de Maringá. O evento contará com mais de 30 palestras que abordarão desde Inteligência Artificial, Nanotecnologia, o uso a Realidade Virtual e Estendida, construção de órgãos em impressora 3D, mas também sobre a saúde mental dos estudantes e profissionais da saúde, a relação entre médico e paciente, segurança do paciente e a medicina humanitária e de catástrofe.

Serviço

Congresso Médico de Maringá e 1º Congresso do HURM
Data: 11, 12 e 13 de Outubro
Local: Vivaro – Avenida Virgílio Manilia, 21784 – Jardim Ouro Cola – Maringá
Inscrições e Informações pelo site site www.congressomedicodemaringa.com.br