Engenheiros do ITA propõem medidas concretas para o Brasil após Coronavírus

O paranaense Cassio Taniguchi

Pandemia e recessão econômica não intimidaram grupo. Correspondência já chegou ao Congresso Nacional e ao STF

Com uma sólida carreira construída em mais de 55 anos de atuação profissional, um grupo de 25 engenheiros formados na turma de 1964 do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) decidiu que não poderia deixar de dar sua contribuição para pacificar o Brasil. “Em tempos de pandemia e de grave recessão econômica mundial, queremos cobrar de nossos políticos ações que sejam do tamanho dos problemas. Por isso, cumprindo nosso papel de cidadãos, divulgamos duas Cartas Abertas propondo ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas difíceis, mas muito desejadas, que farão a diferença no respeito que precisamos ter para com estas instituições”, explica o empresário Eduardo Guy de Manuel, um dos coordenadores do grupo. “O país e o mundo não serão mais os mesmos depois desta pandemia. Por isso nossas instituições políticas precisam de uma agenda que as façam maiúsculas e admiradas por todos. Sem este lastro, não serão capazes de manter a estabilidade da Democracia e de garantir recuperação econômica depois de uma recessão que deverá ser sem precedentes”.

Os engenheiros que assinam as cartas participaram da construção das principais obras voltadas para geração e distribuição de energia, mobilidade urbana, implantação de indústrias petroquímica, mecânica, eletrônica, e muitos deles dedicados e premiados na grande novidade, as redes de telecomunicações e TI. “Falamos com a visão de quem praticou a Engenharia desde a ditadura iniciada em 64 até a redemocratização e as instabilidades que vieram depois”, explica Luiz Esmanhoto que, junto com Guy, Cassio Taniguchi e Manoel Loyola, faz parte da coordenação do grupo.   

As cartas foram enviadas no final da semana passada aos presidentes do Senado, David Alcolumbre, da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e do STF, Dias Toffoli. Também seguiram para todos os senadores, deputados federais e Ministros do STF.

A necessidade urgente de definições dos Ministros do STF, Deputados e Senadores sobre ações propostas, como o fim do Foro Privilegiado e a redução das próprias remunerações – assim como já está sendo previsto para os trabalhadores da iniciativa privada – fizeram com que os engenheiros, mesmo estando no grupo de risco de contaminação pelo Coronavírus, não esmorecessem. Utilizando-se das redes que eles mesmos ajudaram a montar, comunicaram-se por vídeo conferência e coletaram as assinaturas pela Internet para que os documentos chegassem logo a Brasília. “O que queremos é ver um Congresso melhor alinhado com os desejos já expressos pela população, executando mudanças que são supra partidárias e podem ter um efeito muito positivo na sua imagem”, diz Taniguchi, com a experiência de quem já ocupou a Prefeitura Municipal de Curitiba e uma cadeira a Câmara Federal.

Para Manoel Loyola, que acumulou anos de experiência trabalhando na iniciativa privada e também como empresário, “nosso país necessita de uma profunda transformação em sua cultura política, o que inclui mudança radical na forma de gerir os recursos financeiros da sociedade colocados à disposição dos poderes públicos”.

“Conhecemos cada pedaço da tecnologia que usamos. Estes componentes estiveram primeiro em nossas pranchetas, depois nas telas dos computadores. Sabemos que o País poderia estar bem melhor, até para enfrentar os tempos difíceis que estamos vivendo”, diz Luiz Esmanhoto. “Apesar de estarmos com quase 80 anos, consideramos que ainda não é chegada para nós a hora das últimas palavras de Hamlet, ‘O resto é silêncio’. Pelo contrário, queremos falar bem alto para sermos ouvidos pelo bem do Brasil”, resume, lembrando de seus tempos de estudante e ator amador.

Além do fim do foro privilegiado, as cartas enviadas ao STF e ao Congresso contém outras medidas urgentes. As reivindicações enviadas a cada Poder estão reproduzidas abaixo:

Para o STF:

  1. Fazer valer o princípio de que todos somos iguais perante a Lei, dando fim ao execrável instituto do “Foro Privilegiado”.
  2. Fazer valer o início do cumprimento de penas imediatamente após condenação em Segunda Instância, como é norma para a vasta maioria dos países civilizados.
  3. Fixar metas para a redução drástica do indecoroso prazo médio para fechamento de processos.

Para o Congresso Nacional:

1.      Recusar o “Foro Privilegiado” para si mesmos; e banir completamente este traço medieval que restou em nossa Constituição.

2.      Reduzir drasticamente as benesses do cargo: reduzir o salário base, algo já estabelecido, mas não implementado; e limitar o valor total para 1/3 do atual. Limitar também o número possível de reeleições; e não apoiar o avanço em fatias do orçamento, quando claramente destinadas à manutenção do seu “emprego”.

3.      Promover Leis que contribuam para melhor eficácia das ações de combate à corrupção, cuja referência emblemática é a Operação Lava-Jato, um exemplo único na História do Brasil, apresentando continuamente resultados concretos e expressivos.

Abaixo, os 25 engenheiros que assinam as correspondências e as cidades onde vivem hoje:

1 Cassio Taniguchi Curitiba/PR
2Cesar Simões SalimRio de Janeiro RJ
3Denis França LeiteSete Lagoas MG
4Eduardo Guy de ManuelCuritiba PR
5Gianfranco BiazziSão Paulo SP
6Jair dos Santos LapaSão Paulo SP
7Joel de Lima SimãoAraras SP
8Koji FukasawaRio de Janeiro RJ
9Leiger SaukasSão Paulo SP
10Luiz Cristiano de Lima AlvesSão Paulo SP
11Luiz Francisco Tenório PerroneRio de Janeiro RJ
12Luiz Maria Guimarães EsmanhotoSão Paulo SP
13Manoel Afonso de Loyola e SilvaCuritiba PR
14Manoel Regis Lima Verde LealCampinas SP
15Mario KarpinskasItú SP
16Pedro Wladimir ChvidchenkoRio de Janeiro RJ
17Plinio Freire MartinsGuararema SP
18Renato MascarettiSão Paulo SP
19Rui SerruyaBelém PA
20Ruy KorbivcherSão Paulo SP
21Satoshi YokotaSão José dos Campos SP
22Saul ZimmermannSão Paulo SP
23Sérgio Carlos Ricardo BindelUbatuba SP
24Sergio Luiz de OliveiraSão José dos Campos SP
25Walter SaccaSão Paulo SP