Meu irmão

Acabo de perder, vencido pelo câncer, um irmão querido, um ano e meio mais novo que eu.

O Valmir, dos seis que éramos (pela ordem Victor, Valmir, Valter, Vera, Vivian e Vidal), sempre foi o mais audacioso, o mais arrojado. Não tinha medo de agir. Aos 14 anos, em Londrina, ele foi compositor. Não de música, mas fazendo arranjos manuais com os tipos móveis de metal no jornal Gazeta do Norte. Chegou lá, sem o pai saber, e começou a ganhar um dinheirinho.

O Valmir foi quem se aventurou na política estudantil e depois na política dos homens barbados…

Trabalhou durante quase 15 anos como secretário de redação da Folha de Londrina…

Fundou um jornal em Balneário Camboriú (Tribuna Catarinense) e teve peito de transformá-lo em diário…

E foi quem se casou primeiro, aos 17 anos, com a Maria Luiza. Arrojado ele e arrojada ela.

Tinha um gênio bom (quase sempre, né, Luiza?). Conforme um de seus filhos, o Alexandre (os outros são a Andréa, a Fabiana e o Beto), “Ótimo, maravilhoso” foram as palavras que ele mais ouvia do pai nos seus últimos momentos de vida, “apesar das dificuldades, das limitações e do medo da morte que o assombrava”. Não reclamava, não se revoltava. E essas palavras, “Ótimo, maravilhoso”, o Alexandre acaba de gravar num dos braços, numa singela homenagem.

O Valmir sempre foi o primeiro em tudo, ou em quase tudo, em relação aos irmãos. Agora, é o primeiro a ir aos céus, para, quem sabe, preparar o caminho a todos nós, seus 5 irmãos, três sessentões, dois setentões.