“Na Casa Branca da Serra”: Palmeira e uma paixão eternizadas em poema e música

Ainda hoje, a brancura da sede da Fazenda Palmeira

Em 1894, o poeta alagoano Guimarães Passos, fugindo para a Argentina por ter se envolvido com os maragatos contra o presidente Floriano Peixoto, ficou hospedado alguns dias na casa da Fazenda Palmeira, da família Araujo, em Palmeira (o tenente coronel Manoel José de Araujo foi quem doou as terras para a construção da igreja de N. S. da Conceição e a fundação de um povoado, no dia 7 de abril de 1819 – e é por isso que a cidade comemora este ano 200 anos).

Ali, na ampla e avarandada casa branca da sede, ele teria se apaixonado por uma das filhas de Domingos de Araujo (filho do tenente coronel), a Antonia.

Tempos depois, o poeta escreveu o poema “Na Casa Branca da Serra”, essa casa branca sendo a sede da fazenda que o acolhera.

Nos versos do poema que ficou muito famoso, tendo sido musicado e gravado por inúmeros cantores (Vicente Celestino, Tião Carreiro e Pardinho, Paraguassu, Carlos Galhardo, Inezita Barroso), não aparece o nome “Antonia”.

As primeiras estrofes são essas: ” Na casa branca da serra que eu fitava horas inteiras, entre as esbeltas palmeiras ficaste, calma e feliz; aí teu peito me deste quando pisei  tua terra, aí de mim me esqueceste quando deixei meu país…”

Num outro verso, aparece “Sou tua! – tu me disseste”…

Fico imaginando, além dessa paixão, as dificuldades de locomoção e comunicação naqueles tempos sem celular, smart phone, whatsapp. Sem avião a jato.

Certamente, para o poeta, ficaram as memórias (tanto que escreveu o poema), mas e Antonia? Esqueceu o namoro? O flerte? Talvez a paixão?

Os tempos passam, gerações se sucedem, Palmeira já vai comemorar 200 anos no dia 7 de abril. A Fazenda Palmeira, que continua tendo a casa – casarão – branca como sede, produz atualmente os queijos porongo, famosos na cidade e no Paraná.

O poema “Na Casa Branca da Serra” é, porém, imortal (e o peito de Antonia está lá, eternizado).