Sujeirada em Itajaí

CRÔNICAS DE VICTOR GREIN NETO, JORNALISTA.

Desde séculos  as histórias sobre náufragos e sobreviventes em ilhas desertas despertam curiosidade, emoção, simpatia.

Casos reais ou de ficção avivam nossa mente, empolgam-nos. 

Nos jornais, revistas, TV, livros, cinema, as narrativas atraem leitores, espectadores. Livros como A Ilha do Tesouro (Robert Louis Stevenson, 1883), Robinson Crusoé (Daniel Defoe, 1719), A Ilha de Coral (Robert Michael Ballantyne, 1858), foram e continuam sendo, com contínuas reedições ou filmagens, sucessos incontestáveis. O filme Náufrago (com Tom Hanks)   comprova que o assunto rende bastante – em público e dinheiro.

Salvo no filme A Lagoa Azul, onde as crianças encontram um ailha paradisíaca e, portanto, inexistente, as narrativas enaltecem as dificuldades para se manter vivo nas condições mais inóspitas, com falta de água doce, alimentos, abrigos. Com sorte, podem ser encontradas frutas, peixes,porcos ou cabras selvagens. Mas como pescar, matar, fazer fogo,fazer uma cabana, sem facas, madeiras, fósforo, anzóis? E como economizar energias para a sobrevivência?

Em um caso descrito como real na Inglaterra, um desses sobreviventes destacou que teve de derrubar uma árvore usando uma concha. Conseguiu, mas levou 11 semanas para conseguir o objetivo. 11 semanas, quase 3 meses!

Robinson Crusoé ou os amigos Ralph, Jack e Peterkin, meninos de 15 e 13 anos de A Ilha de Coral, sofreram bastante, mas, com imaginação,conseguiram manter-se vivos.

Ontem, passando ali perto do ponto de embarque para o ferry-boat a Navegantes, reparei mais uma vez na sujeirada que o rio Itajaí-Açu ou o mar trazem. Havia ali madeiras, bambus, pneu, pedaços de corda, latas,plásticos.

E pensei: sujeirada, dependendo do ponto de vista. Se eu estivesse numa ilha deserta, seria um achado, seriam tesouros!