Em Rio Negro

As figuras de palha de milho e uma pintura do veleiro Charlotte Louise

CRÔNICAS DE VICTOR GREIN NETO, JORNALISTA.

No ponto urbano mais elevado de Rio Negro, no Paraná, na divisa com Mafra, em Santa Catarina, está o antigo Collegio Seraphico, no entorno do Parque Ecoturístico Municipal São Luis de Tolosa. Uma bela atração cultural rionegrense, um edifício de 10 mil m2, duas alas, 4 pavimentos, 3 torres que se sobressaem na paisagem e na cidade. Tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do município em 1978, hoje está sediando a Prefeitura. Além da magnífica construção e de toda a história do educandário, estão ali atrações muito bonitas e interessantes, como as pinturas murais feitas de 1922a 1935 pelo artista Pedro Cechet tanto na capela como no cinema, a loja que comercializa artesanatos, a “Cidade de Belém” e a “Passagem da Vida de Cristo”,ambas do artista Meinrad Horn (1939-2003). Na “Cidade” são cerca de 1.700 personagens em palha de milho e edificações, retratando as variadas profissões e o cotidiano da época do nascimento de Jesus Cristo, reproduzindo o presépio da gruta, o acampamento dos Reis Magos, a Fortificação romana. Na “Passagem”,estão 40 espaços, chamados Oratórios, com 800 personagens também em palha de milho, contando sobre o Batismo, os Milagres, as Bodas de Canaã, a Santa Ceia,a Crucificação, a Ressurreição.

Um ótimo momento para admirar essas figuras é agora, época natalina.

E eu aqui, na segurança dessa altura, fico tentando imaginara viagem no veleiro Charlotte Louise feita em 1828 pelo meu ancestral Pedro Grein mais a mulher Angela, os filhos Anna, Mathias, João e Margarida e o criado Mathias Schuler de Bremen, na Alemanha, para o Brasil. Junto com mais 19 famílias, cerca de cem pessoas, constituídas por alemães e luxemburgueses.

Pense num transatlântico de hoje, num daqueles gigantes costemplos de turismo marítimo, dotados de piscinas, teatro, cinema, discoteca, academia de ginástica, toboáguas, hidromassagens, quadra poliesportiva, bares, restaurantes, lojas, cabines luxuosas. Pois é, nada a ver. Há quase 200 anos, sem as tecnologias e confortos de hoje (e, principalmente, a SEGURANÇA de hoje), uma viagem a bordo de um veleiro daqueles era uma aventura. Ou uma loucura? Acima de tudo, uma grande coragem. Muitas pessoas morriam no percurso,como aconteceu com uma das filhas de Pedro, a Margarida. Foram 3 meses de viagem (saíram no dia 30 de junho e chegaram ao Rio de Janeiro no dia 29 de outubro). Depois, outra viagem a Antonina e um mês em carroções para chegar a Rio Negro. Aqui.

Pedro Grein foi meu tataravô, teve outros 5 filhos no Brasil e me orgulha sua coragem, seu pioneirismo, sua luta.